Liberdade ou solidão? Solidão ou solitude? Esses questionamentos sempre vêm à tona quando alguém defende sua preferência por fazer sozinho coisas que, muitas vezes, são associadas a compromissos coletivos. Entre elas, está jantar em um restaurante sem nenhuma companhia.
Se você é alguém que realmente gosta de comer sozinho, sua escolha pode ser muito mais profunda que apenas aproveitar a própria companhia: a Psicologia indica que você é uma pessoa resiliente que desenvolveu os recursos internos a seguir!
Muitos pesquisadores chamam isso de “solidão autodeterminada”: é a capacidade de estar sozinho porque isso lhe faz bem e não como uma forma de evitar algo ou alguém.
Segundo a revista VegOut, um estudo com 372 estudantes universitários revelou que pessoas que optaram voluntariamente por fazer refeições sozinhas apresentaram um grau de satisfação maior. Isso sugere uma capacidade psicológica de tomar decisões com base em suas próprias necessidades, em vez de expectativas sociais.
Quem escolhe passar um tempo sozinho, naturalmente, se conecta com os próprios pensamentos. Afinal, não há uma conversa ou uma necessidade de performance social.
Cabe destacar que não estamos falando de alguém que não tem outra opção a não ser comer sozinho e passou a aceitar este cenário. É sobre a escolha genuína de fazê-lo. E isso é algo que já se discute desde o século passado: um estudo realizado com adultos suecos entre 70 e 90 anos identificou "comer sozinho como símbolo de independência e contentamento".
Não é fácil estar sozinho consigo e precisar lidar com todas as emoções que surgirem, sem a distração das interações sociais. Isso exige uma estabilidade emocional que muitas pessoas ainda não desenvolveram.
A lógica é simples: sem conversas ou maiores distrações, seu cérebro tem mais capacidade para pensamento criativo e resolução de problemas. Afinal, envolto consigo mesmo, é possível direcionar melhor sua atenção.
Em um mundo onde até as relações estão cada vez mais performáticas, comer sozinho em um local público pode exigir coragem. Não são remotas as chances de alguém te encarar e criar uma teoria, muitas vezes, infundada a seu respeito.
A escritora Emma Gannon já havia pontuado que jantar sozinho carrega estigmas, desde comentários de pena até restaurantes que tratam essas pessoas como cliente de segunda classe.
Esse cenário também é refletido na relação com a comida, que, muitas vezes, está diretamente ligada ao emocional. O pesquisador de alimentos Brian Wansink descobriu que pessoas que jantam sozinhas, na verdade, comem menos, sem o consumo inconsciente que ocorre em ambientes sociais.
Segundo Christopher Willard, especialista em mindfulness, comer em horários e locais consistentes ajuda a desenvolver sinais ambientais saudáveis sobre o que e quanto comer, em vez de comer em resposta a estímulos externos aleatórios.
Além disso, sem maiores interferências, essas pessoas conseguem notar como diferentes alimentos afetam seus estados mental e físico. Elas ficam mais aptas a elaborar sobre quais comidas lhe dão mais energia ou afetam o humor e a qualidade de sono, por exemplo.